Maioria dos inadimplentes utiliza novo crédito para quitar anterior
Ter o "nome limpo" é apontado pelos consumidores como um dos bens mais preciosos Mais da metade dos inadimplentes já escondeu alguma compra ou o valor real de uma dívida de seus familiares Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, revela que o consumidor brasileiro utiliza um crédito para quitar outro. De acordo com o levantamento, 81% dos consumidores nessa situação admitiram ter postergado dívidas no último ano, recorrendo a limites de cartão de crédito, cheque especial ou novos empréstimos para cobrir compromissos anteriores.O estudo aponta que, para muitos, essa conduta virou rotina. Entre os que adiaram o pagamento de dívidas, 25% declararam fazer isso mensalmente para tentar manter o orçamento em dia, enquanto 37% utilizam a tática ocasionalmente em momentos de aperto e 19% somente em emergências extremas. O hábito joga o consumidor em um ciclo de endividamento de difícil saída, onde o crédito emergencial deixa de ser um suporte temporário e passa a integrar uma engrenagem contínua de inadimplência. Para o presidente da CNDL, José César da Costa, o cenário evidencia que o endividamento no país tem raízes estruturais ligadas à falta de letramento financeiro e ao desespero em tentar manter uma estabilidade artificial. "O consumidor, muitas vezes sufocado pela falta de liquidez imediata, busca paliativos que oferecem um alívio momentâneo", analisa.O levantamento também aponta que inadimplente brasileiro possui uma percepção de conhecimento sobre finanças muito superior à sua aplicação prática no dia a dia: 78% dos entrevistados classifiquem seu conhecimento financeiro entre regular e ótimo. Entre as principais barreiras para a adoção de métodos organizados, como planilhas ou cadernos de anotações, os entrevistados citam a falta de disciplina para controlar todos os gastos (20%), a desmotivação por não enxergarem resultados rápidos (15%) e a falsa crença de que a conta de cabeça é suficiente (15%).O estudo revela um verdadeiro embate entre a disciplina e o esgotamento emocional ao se depararem com dívidas de difícil quitação: enquanto 50% afirmam manter a resiliência e cortar gastos não essenciais para sobreviver, 50% lidam de forma prejudicial com a situação. Mais da metade dos inadimplentes (54%) já escondeu alguma compra ou o valor real de uma dívida de seus familiares ou pessoas próximas por vergonha, sendo que 29% fazem essa omissão de forma frequente. Apesar dos riscos do cenário, o estudo mostra que a experiência da inadimplência gera um aprendizado reativo significativo. Ter o "nome limpo" é apontado por 79% dos consumidores como um dos bens mais preciosos da vida.