Mulheres negras e Docência: Trajetórias de vida no período do Amapá Território – Parte 1

 Mulheres negras e Docência: Trajetórias de vida no período do Amapá Território – Parte 1

(Reprodução/Arquivo pessoal) https://porta-retrato-ap.blogspot.com/

O interesse em pesquisar tal assunto, ocorreu a partir de interrogação de como essas professoras negras obtiveram sucesso em sua jornada de docente, confrontadas por diversos obstáculos em relação a discriminação que permeava a sociedade da época, seja pela questão da cor ou raça. A escolha desse tema se deve também ao fato de ser eu mulher, professora negra. Dessa maneira, por experiência própria, percebi que o percurso como docente não é fácil, onde ser mulher, negra e universitária não é simples na sociedade atual, embora hoje a educação esteja mais igualitária e democrática.

O diferencial nesse trabalho será mostrar através de estudos baseados por autores que citam essa relação entre discriminação e inclusão, mostrando que podemos ter o respeito pelas pessoas que convivemos durante o dia a dia na escola, despertar de forma aguçada reverencia a opinião e postura do indivíduo perante a sociedade moderna. Na trajetória de formação escolar e profissional, se enfrentam fortes circunstâncias de preconceito e de discriminação racial. Isso se deve porque o racismo é um dos pilares que estrutura a sociedade atual brasileira. Assim, as relações da mulher negra nos diversos setores da vida em sociedade são permeadas de manifestações de caráter racista, inclusive na área da educação.

A educação no Amapá: retrato de um território. Apresentará o um breve olhar sobre como se processou a educação no Amapá enquanto território federal, onde o mesmo só foi desmembrado do estado do Pará em 13 de setembro de 1943, quando Getúlio Vargas, então presidente da República, iniciou um processo de abertura democrática. Nesse capítulo, faremos breve referência sobre os primeiros educadores de renome e como estes contribuíram para o desenvolvimento intelectual do Amapá.

Mulheres negras professoras na cidade de Macapá, abordaremos a trajetória de vida de algumas mulheres que se destacaram como educadoras no Amapá, suas lutas e conquista para contornar as dificuldades da carreira na docência, o que motivou sua escolha profissional, seu enfrentamento diante da prática docente, suas dificuldades e sua influência como educadoras dentro de um espaço discriminatório e de caráter racista.

As desigualdades raciais de mulheres negras na educação no período do Amapá território, discutirão as desigualdades sob o viés racial que foram sujeitas às mulheres negras e professoras em nossa sociedade, destacando o Amapá neste contexto e como hoje são vistas na sociedade. Sabe-se que, embora o Brasil tenha tido um desenvolvimento socioeconômico acelerado e um enriquecimento expressivo ao longo dos anos, os negros – em especial as mulheres negras – permanecem em situação de extrema desigualdade.

I- A educação no Amapá: retrato de um território.
No período do Amapá Território o objetivo da educação era combater o analfabetismo. Essa medida visava muito mais interesse do governo federal do que a própria necessidade local, uma vez que o sistema educacional era deficiente tanto em questões de espaço para ministrar aulas quanto pessoal qualificadas para a docência. Para discutir a ampliação da oferta de ensino, no então Território Federal, é necessário compreender o contexto sociopolítico amapaense.

As ações do Governo do Amapá que, pelo menos no discurso político, intencionou romper com um passado de atraso e miséria (o antigo) e construir um novo Amapá (o moderno), mas, para isso, era imprescindível forjar um novo homem: o civilizado. Assim, a educação fora utilizada como publicidade política para distribuir a ideia da constituição de um futuro imponente para o Amapá, que não poderia prescindir da escola.

A educação no Amapá, segundo Adamor Oliveira (2013) significava “palavrade Ordem”. O ensino nos colégios possuía excelente qualidade, onde o Amapá foi destaque nacional. Os professores vinham dos estados mais diversos, como Maranhão, Ceará e São Paulo, dentre outros, onde recebiam ótimos salários e passavam seus alunos princípios étnicos. E não podemos abafar o aspecto que o número de alfabetizados guardava relação com a demografia da região, ou seja, as somas pareciam altas porque o contingente populacional era baixo, à época, especialmente quando consideramos o percentual demográfico demais regiões brasileiras.

Esse entendimento se fundamenta nas afirmações do primeiro interventor, Janary Nunes, quanto à precariedade das instalações físicas das escolas primárias, antes da federalização, (NUNES, 1944). Nesse contexto o que ocorreu esse o problema que a população era pouca não demanda para o ensino, mas o que ocorria era que tinha bastante profissionais formadores naquele período, mesmo dessa forma houve o impasse de promover o deslocamento de profissionais de outra região para suprir a necessidade no estado que, no entanto ainda era um território, havendo dificuldade de proporcionar uma boa qualidade de ensino naquele histórico período, mas tendo toda essa dificuldade pode-se dizer que houve uma educação com umae estrutura e profissionais qualificados para aquele estado na esfera territorial.

Esse acendimento se tinha por meio de uma educação aonde se materializaria forma que dessa abertura de várias frentes de ação. A educação começou a se desenvolver nas terras amapaenses a partir de 25 de janeiro de 1944 que fazia parte de um cobiçoso projeto governamental de alteração dos modos de vida dos brasileiros. Angela de Castro Gomes argumenta que “a invenção do Estado Novo, fixando os postulados pedagógicos fundamentais à educação dos brasileiros, tinha em vista uma série de valores dentre os quais o culto à nacionalidade, à disciplina, à moral e também ao trabalho” (Gomes, 1982, p. 158). Nesse sentido predominava os princípios éticos e morais de todas as individuam que iria ter como base esses fatores na relação educacional.

Diante das classes dirigentes de modo geral podia-se atribuía ao ensino uma tarefa de dotar o capital humano nacional sobre as habilidades necessárias àquela modernização econômica do país naquele momento histórico. Por meio do trabalho, o homem teria amplo acesso aos bens de consumo e contribuiria para o desenvolvimento da nação. Como estar preparado para o mundo do trabalho, o ensino não poderia ser homogêneo, uma vez que o projeto de constituição de uma relativa autonomia econômica nacional implicava a concepção de um amplo mercado adentro, fundamentado na interação entre áreas colonizadas e industrializadas – ou seja, uma divisão regional do trabalho.

CONTINUA…

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Mayara Bomfin

Mayara Bomfin

http://www.amapaemfoco.com

Meu nome é Mayara, tenho 28 anos, resido em Santana, tenho formação acadêmica em licenciatura plena em letras português, cursando 7 semestre de letras Libras, pós-graduação em políticas da promoção da igualdade racial nas escolas.

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